terça-feira, março 22, 2005

Factor M

O fascinio pelo género feminino, que ao longo dos séculos de história conhecida, pontua invariávelmente aqueles que "não procuram mas sim encontram" teve máxima expressão pela capacidade do artista que deslumbra e busca na fêmea uma ponte para o entendimento do belo que nunca se esgota e por isso mesmo se torna a fonte fertil da criatividade.

A mulher em si encerra a suprema arte, aquela que tem o poder de gerar a própria vida e por isso mesmo a herança continuada de muitos modos de vida que se prolongam no espaço/tempo.

Num mundo agitado e profundamente assimétrico que outro ser poderá estar mais apto a compreender, empreender e executar a mudança?

Nos momentos criticos do passado recente a sua intervenção ultrapassou os muros erguidos, as convicções fossilizadas e os medos mais enegrecidos.

Pessoalmente fascina-me o empreendorismo resoluto e empenhado de todas as mulheres que gerem deligentemente todos os campos que povoam as suas vidas dando-nos a nós homens muitas referências que marcam acentuadamente a nossa personalidade individual.

Sempre admirei Esteé Lauder pelo que a sua marca pessoal representa e pela fausta herança legada. Por um lado um enorme estímulo económico determinante e sustentado pelo comércio operado através dos muitos produtos vendidos mas acima de tudo uma demonstração do seu imenso talento, poder de sedução e visão.

Entender “a beleza como uma atitude” é encontrar-se em sintonia com tudo o que nos rodeia e “acreditar ser, verdadeiramente, atraente”.

O seu génio revela-se por nos dizer que no fundo ninguém necessita de comprar cosméticos, perfumes ou acessórios diversos para se tornar belo. De facto ninguém inventaria pior publicidade para vender o sonho da magia promovida pelo império que fundou.

Necessáriamente Esteé Lauder sendo mulher sabia o quão longe a sua aura feminina podia alcançar ao ponto de outras mulheres comprarem os seus produtos não por eles as tornarem mais belas mas sim por quererem ser como ela.

É forçoso concluir, se pensarmos bem nisto, que é para mim em absoluto uma convição profunda, que devemos insistir numa sociedade que promova a verdadeira dimensão do feminimo. Isto implica entender o género em si mesmo e desse modo perceber as condições necessárias à sua plenitude como por exemplo a maternidade.

Em causa estão séculos de supremacia masculina e submissão feminina numa relação de parceria desiquilibrada e parcial. No entanto a mulher conseguiu ocupar legitimamente o seu posto dando mostras de tenacidade e resistência sem igual. Pacientemente avançou demonstrando o seu potencial ilimitado perante uma envolvente hostil, desconfiada e disposta a obstruir a sua passagem.

Com surpresa descubro, todos os dias, novos talentos nesses seres deslumbrantes que nos entregaram um sopro para existir, nos nutriram de seus peitos e alimentaram de compaixão, afecto e sensibilidades únicas.

Por muitas outras razões falta cumprir-se o que lhes é devido e se não em dimensão material pelo menos no respeito e admiração que mesmo nos pequenos gestos lhes insistimos negar.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Caro Mário

A tua admiração pelo feminino é um sinal inegável da tua sensibilidade e da tua busca de “essência” que tanto faltava na nossa sociedade. E digo “faltava” (no passado) porque o despontar das consciências característico da era de aquário, que é uma era de colheita espiritual, nos está a trazer, felizmente, pessoas de rara excepção que vamos reconhecendo á medida que nos vamos dando a conhecer.

Enquanto mulher entendo que o que devemos procurar é estarmos em igualdade e não sermos especiais. É um facto que a maternidade confere ás mulheres o poder de dar vida, mas que dizer do papel dos homens que sabem por saber que os filhos são seus? E nota assim que sem eles a natureza também estaria incompleta.

A tua referência a Esteé Lauder lembrou-me uma outra mulher que teve um papel preponderante para todas nós mulheres e naquilo que é o relacionamento social dos dois sexos. Falo de Coco Chanel, ou seja de Gabrielle Bonheur Chanel nascida em 1883 e orfã aos 6 anos de idade. Estudou costura num convento e depois partiu para a vida e para uma aura de celebridade que chega até hoje.

Começou por fazer chapéus que deliciaram as frequentadoras das populares corridas de cavalos naquela época pela sua simplicidade e elegância.

Evoluiu e olhou para o vestuário feminino que apertava as mulheres em faixas e espartilhos. Olhou para as roupas masculinas e adaptou os fatos dos homens à elegância das mulheres tornando-os uma moda e uma libertação, usava o Jersey e tudo o que era confortável para tornar as mulheres mais elegantes e femininas e vestiu-as com calças.

Quando por volta do ano de 1969 eu, ainda criança, frequentava a “Escola Preparatória de Luís António Verney” em Lisboa, onde nasci, ainda no regime do “Estado Novo” as mulheres em Portugal foram autorizadas pela primeira vez a irem para a escola de calças. Engraçado se pensarmos no percurso de Coco Chanel e no que ele demorou no nosso país, já que foi a seguir à primeira Grande Guerra que Coco iniciou o seu movimento de “libertação do espartilho”.

Coco Chanel conquistou ainda para as mulheres uma outra forma de sensualidade e descontracção desconhecida até então o “cabelo à Maria Rapaz”, Na forma como tal surgiu podemos ver o quanto aquela mulher não se vergava a nada. Ela tinha que comparecer a um acontecimento social e chamuscou o cabelo, não foi nada! Cortou-o curto e apareceu assim e …….. ditou uma moda!

Feminina teve milionários a seus pés e nunca se casou para não mudar de nome.

Pensem o que quiserem, a vida era dela e o que dizia é verdade “baronesas” há muitas Coco há só uma!

Ficarei atenta ao teu “Blog” e espero que nos brindes com muita da tua criatividade

Rosa Viegas

12:07 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Caro Mário
O meu "ego" ficou exaltado pelo teu fascinio pelo sexo feminino...espero que esse fascinio não se resuma exclusivamente à parte "estética" ... Porquê não relembrar a fantástica Marie Curie que se dedicou de corpo e alma à ciência? É verdade que o seu nome não tem associado uma inibriante fragrância envolta num elegante frasco ou um aveludado creme com promessa de "beleza eterna". Por outro lado nem todas as mulheres ( que merecem um M maísculo ...) são mães... e nem todas as mães amamentaram os seus filhos e não deixam por essas razões de serem mulheres merecedoras de "fascinio". Creio que a tua admiração pelo sexo feminino será um pouco "superficial"...fruto da sociedade "mercantilista" em que estamos inseridos...Constato mais uma vez que actualmente a "embalagem" é tão ou mais importante que o produto "embalado"...
Ana Paula Soares Dias (apsoares@mail.ist.utl.pt)

2:12 da manhã  

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