terça-feira, março 22, 2005

Factor P

De uma maneira ou de outra todos nós nos contorcemos assistindo ao percurso sinuoso da nossa história nacional. Apesar de reconhecermos quase em unísono a necessidade absoluta de operar mudanças à muito anunciadas, e certamente desejadas, esperamos languídamente que alguém o faça para finalmente suspirarmos aliviados e sermos, de facto, o que quase sempre invejamos nos "estrangeiros" bem sucedidos.
Felizmente fomos brindados pela providência que nos legou um pedaço confortável de "Mundo" onde descansadamente podemos “repousar” e esperar. Esperar a viragem, o encoberto, os fundos, a politica estrutural e agora, “merecidamente” os “Realty Shows”. É seguro afirmar que seria de repensar o ser português e com a ajuda de algum iluminado constitucionalista lançarmos uma nova nacionalidade; o esperutuguês. Só assim seremos justamente nomeados e continuando deligentemente a copiar o que de melhor lá fora se faz esquecermos as mudanças tortuosas, as oportunidades arriscadas e o progresso manhoso.
Que bom é aguardar pelos séculos indolentemente instalados sob um Sol generoso, uma gastronomia suculenta e um país maravilhosamente povoado de história, natureza relativamente preservada e um potencial latente. Só assim podemos reflectir e decidir conscientemente no que fazer porque pode dar-se o caso de não acertarmos na solução logo à primeira e isso é um “risco” que não podemos correr. Basta observar o que fazem os lideres que nos conduzem e que suadamente cautelosos se carregam de mil cuidados para nos afastar de todos os riscos e males sempre à espreita neste século complicado, demais acelarado e imprevisível.
Oportunamente somos diferentes e não vamos atrás das quimeras da “inovação” que só trazem chatices, esforço desmedido e ainda por cima sem garantia de resultados. Orgulhosamente podemos contar as nossas glórias idas e usá-las dignificando a nossa diferença e aguardar seguramente sentados vendo os outros passar.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Caro Mário
Folgo por ver-te chegar á blogosfera carregado de tanta e tão emotiva verve. Espero que fiques por cá muito tempo e nos concedas mais posts imbuidos da mesma paixão. Diz-se que a Internet é o último espaço de liberdade, a última fronteira a explorar. Por mim acho que a última e única fronteira a desbravar será sempre a do espírito humano. O resto é apenas suporte de informação. Incluindo a Internet. Mas para o espirito humano se manifestar é necessário que haja vontade e determinção em o fazer. E na maior parte dos seres humanos essa vontade não existe e o espirito atrofia debaixo de uma capa de conformismo e preguiça. Algo que sempre apreciei em ti, nesta década e quase meia desde que nos conhecemos, é o facto de não desistires, de seres persistente e olhares sempre para além do horizonte. Boa sorte para esta empreitada. Um abraço. Rui.

9:30 da manhã  

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