sexta-feira, abril 22, 2005

AD UNUM

Em 1994 nasceu uma ideia. Uma ideia por si não passa disso mesmo. Algo não fisico que se vai num pensamento. Muito poucas se desprendem desse lugar profundo onde se esconde a alma e acabam por pingar as vontades de mulheres e homens.

Muitas conduzem homens a combaterem entre si numa dança fecunda de morte que acaba por roubar vidas sem nenhum propósito útil.

Mas se a guerra pode trazer algo de bom isso não se vê, mas sente-se.

Os companheiros de armas trocam laços invisiveis como as “barreiras” que tiveram de quebrar quando partiram para matar outros irmãos de armas que lhes ensinaram a chamar “o inimigo”.

A voz do sobrevivente que atravessa esse calvário pode secar no vazio que ecoa dentro de si como um tambor incessante que rasga a pele dos que não conseguem evitar reviver os combates.

Muitos perderam-se durante a contenda e baixaram à terra de onde brotaram. Outros, nos “momentos” seguintes de forma gradual, lenta e no silêncio dos anos que lhes passaram no horizonte como uma miragem sob a qual se desvaneceram.

Os que conseguiram sobreviver, souberam sábiamente aprender a redescobrir os frutos desse instante que é a existência humana e é em veneração sincera que escrevo estas palavras.

Em especial daquele que mais se empenhou, contribui e vive este projecto de escrever apaixonadamente sobre a marca mais interior da sua vida, os anos da guerra colonial na Companhia Caçadores 115.

A verdadeira sabedoria é o que sempre aprendi através dele; como saber tirar o melhor de todos os aspectos da vida, principalmente daqueles que mais nos esgotam e fazem sofrer.
Sabe que, como ele, todos os que regressaram ao útero da pátria, fundaram familias e criaram raizes são por isso mesmo herois mitológicos e podem convictamente acreditar que o seu contributo fez, em verdade, a diferença. Eu próprio se assim vos escrevo sou a prova irrefutável em carne e espiríto por ser origem num deles.

Por isso mesmo escrevi este prefácio, esta memória de alguém que ainda muito pouco viveu mas que todos os dias se inspira nos outros, na familia que me estruturou e no guerreiro que me guiou.

Bem hajam todos os bravos que ainda hoje insistem em não deixar cessar as memórias desse período misterioso onde alguém como eu será sempre incompetente para entender por não o ter vivido, mas também, por não ter tido a oportunidade legitima de aprender um pouco que seja dessa altura nacional nos bancos de escola por onde passei e onde o "programa" ainda hoje não preenche.

Os eventos anuais onde se reencontram estes “irmãos guerreiros” têm a maravilhosa consequência de juntar os que ficaram, os que partiram e os que vivem entre uma coisa e outra e que seriam sempre de saudar. No entanto estes homens optaram teimosamente concretizar uma assinatura no tempo.

Um livro impar por ser sobre a sua singular experiência e assim inigualável.

Desse modo outros homens que, inclusivé ainda não nasceram, poderão aprender sobre a inutilidade da guerra lendo a sua herança escrita.

Acreditem ou não irão salvar vidas e contribuir para que um dia muitos poucos ou nenhuns tenham de morrer a combater em guerra. Principalmente os primeiros a formar os exércitos e que são o futuro de todas as nações. A sua juventude e esperança.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Na vida,as maiores alegrias não veem de fora, mas sim da consciencia do nosso proprio valor,e daquilo que somos para os outros.Afinal a vida e assim,com momentos ,maravilhosos,e com momentos detestaveis(mas sempre inesqueciveis)mas que sobretudo valem a pena serem vividos um a um.

7:04 da tarde  

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