sábado, abril 09, 2005

Factor AP

Os livros são como uma porta, nuns entra-se noutros não. Tal como estes qualquer criação tem esse valor intrínseco. Isto significa; por um lado a obra pode pressupor a existência de um códice dominado por algumas pessoas que por via da sua formação, ou interesse pessoal, aprofundaram os seus conhecimentos artisticos e assim podem facilmente “entrar“ e descodificar a informação nela contida; um outro lado é aquele que se baseia no príncipio da transparência e nesse âmbito qualquer ser humano possuirá o “equipamento“ base para lhe aceder.

Aqui poderá , no entanto, existir uma vontade intencional do criador em que todos, ou pelo menos a maioria, possam ler a sua criação. Mas nem sempre será uma vontade intencional.

Todavia esta introdução pretende levantar uma única questão! Deverão as obras comtemporâneas ser portas “entreabertas“ a todos? Pessoalmente tenho essa convicção deixando a margem devida ao universo dos que sustentam a discussão entre criadores, críticos e académicos. Esta opinião assenta na observação do mundo em que nos relacionamos, crescemos e perecemos. Um mundo rápido demais para deixar espaço às emoções, espectativas e singulariedades que existem em cada pessoa.

Nesse sentido os estado, principal regedor dos bem-comum entre os quais o investimento público em obras-de-arte, que sendo públicas terão como fim atingir o maior número de pessoas possiveis, deveria atender ao sentido que essas obras podem favorecer.

Se noutras épocas a arte serviu de balizador, manipulador e veículo de comunicação único convém entender como ela pode agora refrescar o dia a dia de milhares de cidadãos que com ela se cruzam em praças, ruas, avenidas, jardins e edifícios públicos.

Na prática afirmo que quando se coloca uma obra num espaço público esta deverá ter “entreaberta“ a porta para que a população a disfrute. Que sentido, e futuro, pode ter algo que a todos passa sem ser literalmente lido, e que em quase nada soma de positivo à maneira de sentir o que é público. Como podemos então apelar à participação de todos os “eleitores“ se a sua nação lhes vira as costas logo no dominio que é seu e de todos.