quinta-feira, abril 14, 2005

Factor B

Durante séculos o Homem lutou por ideais em muitos casos incompatíveis mas que todavia se vão substituindo na orientação dominante no mundo.

Na antiguidade os vários territórios ocupados por seres humanos permaneciam relativamente isolados pois não existiam as “facilidades” da actualidade o que permitia a existência de muitas formas de organização social distintas. A maioria acentava num conceito onde a propriedade e os bens materiais definiam a hierarquia social mas muitas outras atribuiam ao saber acumulado o grau de importância fundamental. Alguns exemplos perduram ainda nas regiões densas e inóspitas do planeta como alguns dos desertos e selvas ameaçadas pelo avanço civilizacional. Outros coexistem no seio das nações através de sociedades relativamente “secretas” que tentam inverter a tendência dominante.

Todavia é um facto que o modelo de sociedade predominante constroi as suas raizes nos factores materiais por directa oposição aos espirituais ou sensoriais.

Assim é de, pelo menos, reflectir sobre recente acontecimento que enlutou as nações e reuniu o interesse do mundo. O apelo do polaco Karol Wojtyla cravou-se na terra corrompida que ajudou a curar parcialmente mesmo arriscando aquilo que lhe poderia restar num espaço fisico como o nosso, a própria vida.

O seu longo pontificado desenhou uma infinidade de novas possibilidades para a humanidade que assiste esmagada pelos excessos e riquezas de uma minoria a transbordar de bens materiais em oposição a uma maioria desprovida de tudo o que é essencial à dignidade humana; instrução, nutrição e um território onde se referenciar.

Não sendo um homem religioso posso compreender as posições da Igreja de Karol Wojtyla cujo percurso a responsabiliza perante milhões de seres que acreditam numa determinada referência e a tomam por central nas suas vidas. Nesse sentido fazer doutrina é assegurar uma coesão coerente, livre de ruídos que sempre acabam por instalar muitas dúvidas nos grupos e fatalmente os medos que conduzem à violência como método de gerar reequilibrios. Observe-se a história recente onde a manipulação de credos permite o desenvolvimento bem sucedido das ordas de bombas humanas que espalham a sua destruição em defesa de uma falsa ideologia que fundamenta uma legitima demanda.

No fundo a demanda de muitos homens e mulheres que guiados pela fé de uma felicidade simples, serena e solidária vêm num lider eloquente, fraterno e convictamente preocupado com o conforto alheio mover as “montanhas” que se erguem no seu caminho, sulcando o futuro e semendo os embriões que adequadamente cuidados permitirão a todos nós sentir o “paraíso” que ambicionamos para nós e para todos os que nos são intimos.

Este objectivo fulcral sentido e contextualizado pelas reacções expontâneas de todos os lideres materiais e espirituais durante o suplício do moribundo actor de Cracóvia e após a sua morte, mesmo que parcialmente movidos por motivações obscuras, foi demonstrado claramente pelas multidões de pessoas que através da sua presença mostraram o “ponto fundo” de si próprias.

O défice de espiritualidade vivido e alimentado vorazmente por mais de 2000 anos trouxe-nos o vazio em que, apesar de bem abastecidos, baseamos a vida mais ou menos comprida que percorremos desde que nascemos.

O legado do “Pedro do Trabalho do Sol”, segundo Malaquias, é esse mesmo; o de nos devolver o astro das nossas vidas dizendo-nos, ainda que em agonia do alto da sua última morada – «...não tenheis medo...», vivam vidas plenas, altruístas e verdadeiras e serão premiados com o imenso poder que nos rodeia, o mundo em que vivemos, aprendemos e por fim cessamos e que todos os dias ignoramos.

1 Comments:

Anonymous Ana P said...

Não resisto a tecer um comentário ao Factor B, já agora, porquê Factor "B"?

Muito bem construído, profundo e de uma linguagem muito acessível, essa é
quanto a mim uma variante indispensável. Escreves muitíssimo bem, mas
(desculpa) por vezes tens tendência para complicar a linguagem escrita e
apesar de ser teu "dever" "instruir" é também necessário que apenas uma ou
outra ideia sejam passíveis de reler, quando o texto passa a "pouco
intuitivo" o leitor dispersa e perde interesse.
A carga emotiva é grande mas a racionalidade está a par. Sendo que de uma
forma discreta e inteligente, falas no futuro e nos semeados "embriões" tão
necessários ao desenvolvimento da igreja enquanto cúpula e respectivos
braços.
Agradou-me o levantar do véu das sociedades secretas e do conceito do avanço
civilizacional e consequente degradação de alguns paraísos perdidos.

Gostei muito, este é um tema de que muito se já tinha falado e só de uma
outra perspectiva seria realmente interessante.

B.

Ana

8:43 da manhã  

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