sexta-feira, abril 01, 2005

Factor E

Estrada significa um caminho construído pela mão do homem cujo objectivo é facilitar a comunicação entre dois pontos e onde se pretende transportar pessoas e bens. À medida que esta ideia foi amadurecendo através do desenvolvimento civilizacional foi crescendo o tráfego que se expandiu-se exponencialmente provocando problemas e colisões de diversos tipos e com diferentes consequências. No entanto, nos dias de hoje o progresso mede-se, entre outros sinais, pelas acessibilidades dentre as quais as estradas continuam a estar num topo de evidência.

Não é razoável construir e gerir este tipo de infraestrutura sem atender à sua importância capital tendo em atenção os parâmetros de configuração das vias, as características topográficas dos terrenos, os utilizadores e a sinalização.

É publicamente assumido o pandemónio em que o intrincado de estradas nacionais se foi tornando e mesmo os novos itenerários denotam imperfeições grosseiras que espreitam tanto incautos como inconscientes.

A segurança deve ser o primeiro critério de análise quando se decide um determinado trajecto mas infelizmente fazemos prevalecer as questões económicas a breve prazo como as que se referem ao imediato dado que não é contabilizada a probabilidade de ocorrência de acidentes cujos prejuízos, trágicamente, em muitos casos, são mesmo impossiveis de quantificar. Sendo que esses prejuízos não recaem directamente sobre o promotor/concessionário da infraestrutura este constroi o seu negócio (e muito bem) apenas em custos operacionais e planos de rentabilidade.

O senso comum diz-me apesar disso que não pode existir pior prejuizo económico do que a perca permanente de vidas que abruptamente se extinguem muitas delas no seu inicio. Vidas que devidamente acompanhadas, instruídas e integradas na sociedade poderiam contribuir para o enriquecimento e crescimento dessa mesma comunidade.

Se observarmos atentamente os acidentes quantificados nas estradas portuguesas uma grande parte dos mesmos, ao longo dos anos, devem-se a decisões incorrectas na concepção dos eixos de circulação que conduzem os utilizadores por entre um perigoso jogo de concentração e fomentação e em que a minima desatenção é fortemente penalizada. Não é necessário apontar o nome desses itenerários porque constantemente são eles que ocupam os cabeçalhos de muitos orgãos de comunicação.

Seria altura de repensar o modo como projectamos as acessibilidades que promovem a progressão económica do país e apostar noutra forma de as concretizar.

Mas um tema desta natureza e importância não se esgota apenas na concepção e execução dos eixos de circulação rodoviária.

Para dificultar um pouco mais esta frágil equação temos de considerar igualmente a forma como legamos o conhecimento àqueles que iniciam os primeiros passos activos como utilizadores das estradas e que se encontram sempre anciosos por as usar.

Se formos conscientes deveremos ter presente a forma com o fazemos nas outras fontes de instrução e rápidamente iremos ver que o problema se manifesta logo na base.

Sendo assim, acumulando, numa espécie de shampoo 2 em 1, os maiores factores que influenciam as estatisticas nacionais em matéria de sinistralidade será de esperar uma melhoria substancial dos valores verificados apenas alterando o Código que regula o uso das estradas e a correcta utilização dos veículos que nelas circulam?

Temo dar a resposta que me parece evidente por acreditar que a situação actual terá de se alterar dado que quando eu próprio me tornei utilizador, desde 27 de Setembro de 1991, era impensável observar infracções graves premeditadas e todos os dias assisto a atropelos elementares desse mesmo Código sublinados pela passagem de sinais vermelhos claramente visiveis bem como outras manifestações impróprias para uma ainda que elementar vivencia social tudo camuflado sob um pedaço de metal, plástico e vidro munido de 4 rodas e movido a motor.

Resta acrescentar que nem sequer conduzo 20% da semana.