domingo, abril 24, 2005

HABEMUS PAPAM

Velozmente o Vaticano decidiu a ocupação do posto máximo na hierárquica da Igreja Católica Apostólica Romana. O lugar de Pedro não pode manter-se vazio ainda que os “fieis” escasseiem e os “convictos” se deixem abalar pelos apelos da vida moderna a par de algumas das recentes opções tomadas pelos guardiões da fé.

O Conclave Romano reuniu e o fumo branco desenhou o novo Sumo Pastor. Ainda assim Karol Wojtyla desenhou o futuro com mãos de exímio pescador. Um Homem profundamente espiritual lança o seu olhar muito além do presente por compreender o que move os homens perante as opções que se lhes apresentam. O bem e o mal andam à muito de mãos dadas.

No Vaticano coexistem duas correntes distintas. A mais conservadora e fiel depositária da doutrina ecléctica da Igreja começou num secretísmo necessário e optou denominar-se Opus Dei. A outra, “progressista”, venera a mãe suprema; Fátima. Para sintetizar poder-se-á afirmar que no âmago da questão existem duas vontades opostas; uma procura na continuidade, que não despreza na totalidade uma progressiva adaptação ao curso da sociedade embora se afirme como a que pode preservar, através de rigorosa doutrina, da essência purista das sagradas escrituras. A outra, embora atenta à doutrina fundamental, observa na mensagem contida no diálogo de Jacinta com a Sr.ª de Luz uma nova oportunidade para conseguir gerar um reequilibro universal onde o lastro consiste no Sagrado Feminino.

Isto mesmo nos disse Karol Wojtyla através da veneração, afecto e reafirmação do culto de Fátima à escala mundial. Por 3 vezes transportou-se fisicamente ao ponto geográfico das aparições assinalando assim a sua opção naquilo que acreditava ser a via a tomar pela sua Igreja.

Sendo um sacerdote filósofo, actor experimentado e estratega visionário ao escutar a eleição de Bento XVI, o “Pastor Alemão”, mentor da Opus Dei, não consigo deixar de sorrir. A forma limpa dos acontecimentos a par da idade avançada de Ratzinger não lhe irão permitir uma inversão dos acontecimentos semeados por João Paulo II restando-lhe apenas resignar-se a pequenas afinações no desvio doutrinal da Igreja.

Paradoxalmente alguns afirmam-se desiludidos nesta nomeação, no primeiro momento incompreendida, mas que deixa antever o génio Davinciano do Polaco Pedro. Num rasgo de marechal de campo salvaguardou a continuidade da sua obra, o que seria de esperar de alguém que mudou, irreversivelmente, o rumo da história contemporânea.

Reconhecidamente a Alemanha continua a ser o maior dador mundial de fundos Papais o que deixa resolvida a questão de gratidão da Cúria Romana.

Como acontece no poder material as eleições forjam-se nos bastidores. Um mau condutor de almas deixaria ao Conclave uma decisão tão complexa, dura e marcante dos destinos de uma religião onde ele fundou a nova missão.

Uma missão de esperança onde os medos se atenuam pelos afectos sinceros e pelo encontro dos vários povos tendo por medida o Ocidente (masculino) e o Oriente (feminino) . Este caminho foi traçado muitos séculos antes no país onde a Deusa se anunciou trazendo com ela o reposicionamento da fêmea nos destinos do Mundo.

É conhecida a preferência do Papa por Fátima mas também pelo que tomou por aprendiz, amigo e confessor. Como um pai que delega no filho os valores por que viveu, lutou e viria a morrer também aqui Pedro transmitiu o seu divino espirito assegurando-se que cumprida a lição o aluno subirá a montanha para traçar o que no século anterior se projectou no seguinte.

Podemos aguardar a eleição do próximo Papa na expectativa passiva do seu nome civil ou acreditar na viva chama de Pedro João. Se isso acontecer ainda que no interior de alguns "Navegadores" poder-se-á traçar antecipadamente as cavernas dos cascos onde se irão amarrar os mastros que permitirão içar as velas da nova peregrinação tendo ao centro a cruz da ocidental praia.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Os cientistas falam as vezes da «flecha do tempo»,e teem razão,poque o tempo não anda ás voltas,o tempo avança,como uma flecha que lançada por um atirador,e só pára quando atinge o alvo;de modo semelhante,o tempo avança desde o seu inicio,desde a criação do mundo,em direção ao fim que só Deus conhece.Mas uma coisa e o tempo do mundo,e outra é o tempo dos homens.M.B.

4:35 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

O universo é materia,enrgia,informação,mas só nós somos seres que pensam,que caminham que amam ,que escolhem livremente o seu rumo.Temos uma alma imortal,o nosso«eu»nunca se disolverá no nada .Obrigada por existires ,e por me fazeres pensar ao ler o que tão bem escreves.Éum previlegio ter-te como amigo.OBRIGADA.

4:43 da tarde  

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