sexta-feira, maio 06, 2005

PATTER FAMILIAS

A crise de liderança que atingiu em cheio esta praia “dependurada” na Europa tem especial enfâse, como facilmente se confirma, no seio das famílias portuguesas. Dizem-nos que se deve à conjectura social e à situação a que se chegou por ela motivada. Na realidade, podem crer, enganam-nos e enganam-se redondamente.

O líder numa família é por tradição o elemento masculino mas ultrapassadas as “inseguranças” masculinas ao longo dos séculos de história ocidental vamos aceitando, quanto a mim correctamente, que quem guia toma para si a responsabilidade de ser o timoneiro independentemente de ser de um género XX ou de um género XY.

Isto significa que a pessoa em causa reconhece os seus deveres e do mesmo modo os direitos que lhe são devidos. E de que se trata quando nos referimos a direitos? No topo da lista colocaria o que cola na íntegra no papel de Patter Famílias, i.e. o direito de ser reconhecido e respeitado como líder. Dessa forma a sua decisão, devidamente debatida e argumentada por todos os membros da família, é compreendida e tomada à letra. Aceitar uma decisão, tantas vezes complexa e antagónica com a plataforma emocional individual, revela coragem, dedicação e confiança incondicional. Na origem de onde partiu, essa decisão, o decisor responsabiliza-se pelos resultados da mesma e não se aparta de motivar incessantemente os elementos da sua “equipa” incutindo-lhes ânimo, segurança e auto-confiança, e caso os conduza ao insucesso, ainda que temporário, reconhece a razão onde ela é materializada não imputando resultados a “conjecturas”, terceiros “encapuçados” e, ou, ocultos e muito menos aos seus.

Posto isto é muito fácil adivinhar que o Patter Famílias não passa ao fim ao cabo de um simples, enorme e misterioso bicho muito próximo da extinção.

Fazendo o reflexo, como seria de esperar, na vida empresarial, os contornos ganham dimensões atómicas que provocam danos inesperados por toda a parte.

É comum assistir-se ao desempenho do “líder” autoritário, arrogante e omnipresente que zurze o seu bastão a qualquer um que se atreva a opor-se ao seu iluminado grunhido fazendo uso da sua “destacada” posição para expor frustrações pessoais, deficiências sociais e má educação generalizada.

Outros optam por se esconder sob a capa introspectiva da sua sala de direcção evitando o contacto pessoal que lhes permitiria ler as peças que articulam os desenhos necessários a configurar o sucesso da sua tripulação.

Existem igualmente aqueles que nunca se enganam uma vez que irradiam sabia e velozmente a solução que irá talvez um dia terminar a cabeluda confusão.

Todavia as receitas não se aplicam em caso algum quando nos entregamos à árdua incumbência de gerir gente. «Cada cabeça sua Sentença». Só quem nunca chefiou nada classifica o conceito pela palavra provérbio.

Em primeiro lugar chefiar, liderar ou conduzir grupos de pessoas implica, obviamente, gostar delas e por isso mesmo estar sempre disponível para as ouvir, estimular e cultivar como se fossem filhos queridos e pródigos.

Mas bem sabemos que raramente encontramos alguém assim.

Felizmente ainda existem alguns Sobas para vermos como seria esse animal racional e principalmente emocional.

Mas resta pouco tempo para os salvarmos da extinção que se avizinha.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

...excelente análise da caótica situação em que a nossa sociedade se encontra. Além dum "poço de petróleo" acho que nos fazia falta identificar alguém entre nós disposta ao sacrificio de liderar ...
ANA PAULA DIAS

3:01 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

...pois blá bla´blá. E?

12:47 da manhã  

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